segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Um bom Natal



Na manhã do dia de Natal, o velho Gaspar abriu o jornal e começou a ler. Imaginem o que foi que ele viu na primeira página? Lá, no meio de todas as notícias importantes, estava o seguinte:
“Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém.”
O Sr. Gaspar leu e tornou a ler aquilo. Riu-se muito, deu uma palmada na perna e disse: “Que boa idéia!”
Levantou-se e foi espiar no forno. “Veja só que beleza!”, exclamou ele ao ver dois perus assados. Tirou o maior dos dois, colocou-o numa cesta e cobriu-o com um guardanapo bem branquinho e engomado. Escreveu num cartão:
“Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém.”
E colocou-o na cesta. Pegou o chapéu, vestiu o paletó, colocou a cesta no braço e saiu para a rua. Foi andando, andando, até que chegou a uma porta onde se via um enorme sapato pendurado. “Ó! Deve ser aqui mesmo que mora o sapateiro Antônio. Coitado dele, vive sentado o dia inteiro, consertando sapatos!” pensou Gaspar.
Devagarinho e sem barulho, pôs a cesta na porta, bateu palmas e rapidamente continuou o seu caminho, virando na esquina mais próxima, onde desapareceu antes que alguém pudesse vê-lo.
“Que surpresa magnífica! Que peru enorme!” disse o sapateiro lendo o cartão, onde estava escrito:
“Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém.”
“Imagine só, eu ganhando um presente destes!”
Ficou por um momento coçando a cabeça. Então disse em voz alta: “Já sei o que vou fazer! Levarei o frango que comprei para o nosso jantar de Natal à pobre viúva Mendes.”
Guardou o peru, meteu na cesta o frango que havia custado seu último vintém, pois queria um jantar para os seus filhos no dia do Natal, cobriu-a e saiu, dirigindo-se à pequena casa branca da viúva. Colocou a cesta na escada, bateu na porta, e sumiu em seguida.
A viúva abriu a porta e arregalou os olhos de surpresa, enquanto lia no cartão:
"Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém.”
Olhando para dentro da cesta, viu o frango assado. “Que belo frango! Quem teria tido a bondade de me dar este presente?” Sorrindo, guardou o frango no armário e disse: “Já sei o que vou fazer! Levarei também uma surpresa para a boa lavadeira.” Tirando da mesa um enorme pudim, bem assado e cheiroso, arrumou-o na mesma cesta e levou-o à casa da lavadeira.
Joana estava no quintal, estendendo roupas, e não viu a viúva entrar pela porta, colocar a cesta na mesa e ir-se embora. Quando voltou para dentro de casa, viu a cesta e, muito admirada, leu o cartão:
“Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém.”
“Como é estupenda esta idéia! Vamos ver o que há dentro da cesta. Vejam só, é o rei dos pudins! Dá água na boca só de olhar! Ah, já sei o que eu também vou fazer. Assarei um bolo gostoso para os três filhos da D. Maria.”
E assim fez, bolo na cesta, cartão pregado no guardanapo, foi até à casa de D.Maria. Entrou sem bater, colocou o bolo ainda quente sobre a mesa, defronte das três crianças e disse:
“Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém.”
“Que beleza, um bolo! Mas é para nós, de verdade? Hummm... como está cheiroso! Todo para nós? Muito obrigado” gritaram os três para a senhora que já ia saindo.
O mais velho dos irmãos sugeriu, então, aos menores: “Vamos cortar um pedaço bem grande e lavá-lo ao Joãozinho, o vizinho e grande amigo!”
“Vamos, vamos!” apoiaram os irmãos.
Como Joãozinho ficou alegre com o bolo quando as crianças lhe disseram:
“Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém.”
“Muito agradecido pelo bolo gostoso e bom! Também vou passar um dia alegre e feliz! Vou guardar as migalhas para os passarinhos que costumam aparecer na minha janela.”
Quando ficou sozinho, Joãozinho pensou: “Eu também gostaria de fazer alguma coisa boa para alguém... JÁ SEI!”, exclamou em voz alta, olhando pela janela as flores do jardim. “Aquele velho, simpático, a quem entrego o jornal todos os dias, não tem quintal.”
Todo animado, pegou a tesoura e cortou com cuidado uma porção de flores coloridas. Ajeitou-as dentro da cesta, colocou o cartão e saiu todo garboso pela rua. Andou, andou, deu a volta no quarteirão. Colocando a cesta na varanda, tocou a campainha e virou a esquina, bem depressa.
Que surpresa que o Sr. Gaspar teve quando abriu a porta e encontrou sua própria cesta cheia de lindas flores e um cartão que dizia:

“Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém.”

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Resgate dos Girinos



Clarice Villac



Num dia lindo, Sacisperto e Sacimeiga saem para passear.

No caminho para o ribeirão, encontram Saulo, o Sapo, muito triste.

Saulo explica por que:

– Pessoas da cidade grande fizeram piquenique às margens do rio, deixaram lixo jogado no chão, no rio, etc.

Sacisperto e Sacimeiga se espantam, e escutam atentamente, com olhos cada vez mais arregalados, o relato...

– Embalagens caíram no rio, sapinhos-girinos ficaram doentes com resíduos de produtos químicos... peixes adoeceram ao comerem alimentos estragados...

Saulo continuava, cada vez mais triste e agitado:

– Sapinhos-girinos ficaram presos em sacos plásticos que enroscaram nas plantas, galhos e raízes ! Copinhos plásticos entalaram tampando tocas de lazer debaixo d’água !...

Sacisperto e Sacimeiga ficam aflitos e preocupados.

Decidem ajudar a população de sapos.

Chamam a sacizada com assobios do Sacisperto, e quando todos chegam, explicam a situação. Todos se dispõe a ajudar, e vão logo dando sugestões e dividindo as tarefas.

Há várias gerações que os sacis vêm se aperfeiçoando na arte de confeccionar peneiras de taquara, que aprenderam observando os antigos caboclos e caiçaras.

Assim, fazem peneiras de taquara e algumas eles amarram em caules longos de bambu que encontram pelo chão.

Então vão peneirar o rio e catar os resíduos nas margens.

Todos ajudam, e depois de muito trabalho, conseguem resgatar todos os girinos e retirar o lixo que os estava prendendo e envenenando o ribeirão.

Reunidos ali nas margens do riozinho, vendo os sapos contentes coaxando e brincando com seus girinos no rio limpinho novamente, os sacis conversam sobre o acontecido, e Sacimeiga fala:

– Bem, está tudo em ordem agora, mas, e se vierem outras pessoas (ou as mesmas) e repetirem a sujeira, sem nem imaginar todo o transtorno que causaram, e o trabalhão que deu pra limpar tudo, recuperar os bichinhos...

– Ah, e se nós deixássemos avisos explicando, mostrando e pedindo a colaboração ?

– Podemos escrever mensagens juntando essas pedras que estão por aqui e pelo caminho ! – sugere um sacizinho que gostava muito de ler histórias.

– Boa ideia, adoramos brincar de formar palavras ! – concordam saltitantes os outros sacizinhos, que já começam a juntar as pedrinhas e arrumá-las em forma de avisos.

– Vamos conversar com as crianças nossas amigas, assim elas podem explicar para seus pais e amigos, todos vão entender a necessidade de recolherem e levar embora o lixo, as embalagens, os restos dos alimentos e tudo que costumam trazer aqui pro mato, pra perto do rio ! – diz Sacisperto, entusiasmado.

Sem esperar mais nada, Sacisperto e Sacimeiga vão indo pelo caminho que leva ao povoado e conversando sobre isso, lá longe as crianças estão brincando de bolinha de gude, e acenam para eles.



* Clarice Villac - texto

... 16/19.03.2011 e 30.10.2011.

* Vlad Camargo - ilustração

... outubro 2011