quarta-feira, 24 de março de 2010

O Peixe e a Concha - uma linda história de Verão..


Bem no fundo de um lago nadava um peixinho entre as algas.Frequentemente se demorava muito num mesmo lugar, e abanava vagarosamente suas barbatanas. Bem próximo a ele arrastava-se lentamente uma concha sobre o chão arenoso. Através da turva luz parecia ser uma pedra que ali estava. O peixinho agitou sua cauda , observou a dura concha por todos os lados, e não compreendia como uma pedra podia passear pois não havia percebido ainda os pequenos pezinhos na parte de baixo da concha, onde se distinguia uma aberturazinha. E assim a concha continuava se arrastando...
De repente o peixinho percebeu uma pequena fresta, e nadando para lá, procurou enxergar lá dentro. Mas...a abertura fechou-se !
-"Ah ! - pensou o peixinho - lá dentro mora alguém que certamente tem medo de mim ! Vou chamá-lo !"
Nadou em torno de toda a concha e disse :
" Ei ! você aí de dentro...saia ! Eu não te mordo , não !"
A concha murmurou bem baixinho :
" Por que devo sair ? Aqui me agrada muito mais ...!"
-"Saia assim mesmo ! Eu desejo olhar a tua bela nadadeira !"
-"Eu não tenho nenhuma nadadeira ...!" murmurou a concha.
Mas o peixinho não dava sossego, tinha uma vontade enorme de descerrar a concha. Então falou :
-"Saia para fora você poderá se alegrar com minhas escamas cintilantes...!"
-" Eu nem siquer tenho olhos...", respondeu a concha.
Irritado o peixinho nadou em volta dela e falou :
-" No quê devo acreditar ? Você não tem cauda, nem escamas,nem olhos...Tem apenas ambas as cascas cheias de pele ?"
-" Eu, tenho o sonho aquático..." falou baixino a concha. E este não troco nem por suas escamas , e nem pela sua cauda...!"
-"Oh! Então conte-me ", pediu o peixinho.
A concha disse: -
" Contar eu não posso. Cada dia eu pinto o sonho nas paredes da minha casca. Por isto eu quero lhe mostrar algo...mas depois, deixe-me em paz !"
Cuidadosamente a concha abriu a sua fresta e o peixinho viu em seu interior estranhas cores brilharem : vermelho, azul, verde, violeta...era um oculto brilho cintilante.
-"Oh...! É como o arco-íris nas cachoeiras...!" disse ele.
Mas a concha fechou-se novamente tão silenciosamente quanto abriu...
Em seguida ela deitou-se bem a seu lado e lá permaneceu sem se movimentar.
O peixinho, bem próximo, sentia como entrava e saia água da concha..."o sonho aquático !"...
Ainda por algum tempo ele ficou perto da concha, que externamente parecia arenosa e cinzenta, mas que interiormente escondia o mais belo milagre que já se viu.


( Jacob Streit - Coletânea Waldorf)
Enviada por Vera Ravagnani

segunda-feira, 1 de março de 2010

5º Encontra Conto

A Cia Xekmat e o Ponto de Leitura Casa Encantada realizarão em Santa Bárbara d’Oeste, SP, o 5º “Encontra Conto” - Encontro Regional de Contadores de Histórias, reunindo em quatro dias (11, 12, 13, 14 de março de 2010) grupos e profissionais da contação de história e narrativa oral de várias cidades da Região Metropolitana de Campinas e cidades vizinhas.
Durante o encontro serão realizadas oficinas, apresentações, rodas de histórias, trocas de experiências e visitações em diferentes locais da cidade.
Serão beneficiados diretamente 60 grupos, contadores de histórias e narradores orais do Estado de São Paulo, além de um público potencial, da cidade e região, estimado em mais de 6.000 pessoas, que podem participar do evento.
O Encontra Conto recebe o apoio do Governo do Estado de São Paulo pela Secretaria de Estado da Cultura, através do Edital Festivais de Arte, ProAc 07 - 2009 e também da Prefeitura municipal de Santa Bárbara d’Oeste, com gestão do Edital e do projeto de Amauri de Oliveira 
Todos os eventos são gratuitos e abertos à população.
Mais informações no blogue: http://www.encontraconto.blogspot.com/.
Os contadores interessados em participar devem fazer sua inscrição antecipadamente, copiando a ficha de inscrição, preenchendo-a e mandando para amauri_xekmat@yahoo.com.br

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A casa da infância



A casa da minha infância
tinha quintal e porão
como só as casas de infância
sabem ter.
Era bem alta e amarela a casa da minha infância
e dava nítida impressão
de que era muito antiga
desde que fora feita.
E tinha uma varanda
a casa da minha infância
com uma escada branca ao lado
que subia
e torta,
parava,
subia
e chegava.
A casa da minha infância
tinha caramanchão
sobre o qual escoria
uma primavera vermelha
florindo e tingindo
a rua de paralelepípedos.
Lá dentro,
na casa da minha infância,
tinha sala de visitas
com um quadro de Jesus
vigiando.
Depois de jantar,
Leito ceia prateado,
Cristaleira e o rádio
R.C.A Victor,
sintonizando os programas
de Rádio Nacional do Rio de Janeiro,
Brasil
(patrocínio de casa maçom).
Tinha, ainda, copa,
quarto,
quarto, corredor, banheiro
quarto e cozinha,
fogão DAKO elétrico e
em cima,
a inscrição no pano de prato:
“Quando em seu coração reine a paz”.
a menor casa do mundo num palácio se faz.”
A casa da minha infância
tinha um jabuti,
um pé de limão
e uma parreira.
Mas tinha, sobretudo,
os mistérios da cortinas,
os segredos dos armários,
a sedução do toucador
e era imensa,
forte.
O mundo entrava timidamente
pela fresta da janela
na casa da minha infância.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Dança das Caveiras


- -Roberto de Freitas


Quando o relógio bate a uma

Todas as caveiras saem da tumba

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.


Quando o relógio bate as duas

Todas as caveiras saem pras ruas

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.


Quando o relógio bate as três

Todas as caveiras jogam xadrez

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.


Quando o relógio bate as quatro

Todas as caveiras tiram retrato

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.


Quando o relógio bate as cinco

Todas as caveiras apertam os cintos

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.


Quando o relógio bate as seis

Todas as caveiras imitam chinês

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.


Quando o relógio bate as sete

Todas as caveiras mascam chicletes

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.


Quando o relógio bate as oito

Todas as caveiras comem biscoito

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.


Quando o relógio bate as nove

Todas as caveiras dançam Rock

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.



Quando o relógio bate as dez

Todas as caveiras lavam os pés

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.


Quando o relógio bate as onze

Todas as caveiras andam de bonde

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.



Quando o relógio bate as doze

Todas as caveiras fazem pose

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.


Quando o relógio bate a uma

Todas as caveiras voltam pras tumbas

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.

sábado, 21 de novembro de 2009

A história do homem do dedo cortado



Uma mulher encontrava-se a noite sozinha em sua casa quando o telefone tocou.
Do outro lado da linha era a voz estranha de um homem dizendo:
_ Eu sou o homem do dedo cortado e estou chegando a seu país!
A mulher pensou em ser um trote e simplesmente desligou o telefone e continuo em seus afazeres. Após algumas horas o telefone toucou novamente e a voz dizia:
_ Eu sou o homem do dedo cortado e estou chegando ao seu estado!
A mulher desligou o telefone em principio ficou um pouco preocupada, mas logo esqueceu e continuo seus afazeres. Novamente o telefone tocou e a voz dizia:
_ Eu sou o homem do dedo chegado e estou chegando à sua cidade!
A mulher começou a ficar com medo e se preocupar, pensou em ligar para a polícia, mas eles não acreditariam. Logo o telefone tocou novamente:
_ Eu sou o homem do dedo cortado estou chegando ao seu bairro!
A mulher ficou desesperada, não sabia o que fazer e tomou coragem e decidiu ligar para a policia. Antes de pegar no telefone ele tocou novamente:
_ Eu sou o homem do dedo cortado e estou chegando à sua rua!
A mulher se desesperou e tentou achar um lugar para se esconder, mas o telefone tocou novamente:
_ Eu sou o homem do dedo cortado e estou chegando ao seu portão!
Ela resolveu sair correndo. Quando ela abriu a porta, deu de cara como um homem com o dedo cortado:
_ Eu sou o homem do dedo cortado! Me empresta um band-Aid?


História enviada por Sueli Monzani

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Galinha com dentes

Pelo cerrado vinha, bailarina, uma franguinha.
Pezinho na frente, outro atrás, uma ciscadinha. Depois, perna jogada pra um lado, perna jogada pro outro, algumas bicadinhas.
Sorrateira, toda sorrisos e gentilezas, a esperta raposa avistou a inocente franguinha. Cumprimentou-a e foi logo perguntando se não sentia medo durante a noite.
_ Muito, amiga raposa. Tremo, suo frio, tenho arrepios e horríveis pesadelos!
Mal consigo dormir...
_ Ora, por isso não. Vou visitá-la hoje à noite e ninguém terá coragem de incomodar a companheira. Vai ser uma tranqüilidade, você vai ver...
A ingênua franguinha, satisfeita, continuou seu passeio e, quando encontrou o camarada cachorro, alegremente, ela foi contando a novidade:
_ Amigo cão, estou agora em paz. Tudo pela bondade da camarada raposa_ e contou tudo.
Admirado, ele falou:
_ Mas você está maluca, amiga? Onde já se viu raposa visitar galinha? Será o seu fim!
Ela quase desmaiava quando o cão lhe prometeu:
_ Nem tudo está perdido. Darei um jeito nisso.
Pouco antes do sol se pôr, o cão escondeu-se no quartinho da casa da amiga.
_ Fique calada, não dê um piozinho! Se der, baú, baú: Uma frangota vai pro papo da rapasota!
Quando a raposa chegou com sua dentadura à mostra, foi procurando a ingênua franguinha, mas teve aquela surpresa! Levou uma tremenda dentada.
Como tudo aconteceu muito rápido e no escuro, a raposa não soube quem a tinha ferido. Fugiu espavorida, dolorida, além de bastante machucada.
No dia seguinte, no mato, a raposa, confusa e ainda tremendo de medo, contou para os companheiros:
_ Vocês não vão acreditar! Imaginem que, pela primeira vez, encontrei uma galinha com dentes!!!


AUTOR: Lúcia Pimentel Góes
Enviado Neusa Cia

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Carinhos Quentes



Era uma vez um casal que se chamava Antonio e Maria. Tinham dois filhos e moravam felizes, numa cidadezinha do interior. Naquele lugar, todos, ao nascerem, recebiam um saquinho de carinhos. Cada vez que uma pessoa colocava a mão no saquinho, retirava de lá um carinho quente. Esses carinhos quentes faziam as pessoas se sentirem aconchegantes e cheias de amor umas pelas outras.

Todos ali sabiam que quando uma pessoa não recebia carinhos quentes, corria um sério risco de pegar uma doença, que as fazia murchar e morrer.

Era muito fácil receber carinhos quentes. Bastava pedir a alguém.

A pessoa que dava o carinho quente, colocava a mão na sacolinha, retirava de lá o carinho, que se expandia com uma luz, que podia ser colocada no ombro, na cabeça, ou no colo de quem estava recebendo o carinho quente.

Escondida numa caverna, uma bruxa má estava muito chateada porque naquela cidade ninguém ficava doente, para comprar os seus ungüentos. Além do mais, os carinhos quentes eram distribuídos a todos, de graça e, por isso, o acesso era livre. Assim, eram todos felizes.

Então, a bruxa inventou um plano muito malvado, que faria as pessoas comprarem os seus remédios. Vestiu seu disfarce e, numa manhã, foi até a casa de Antonio, fingindo ser sua amiga. “Olha, Antonio, veja os carinhos que Maria está dando aos filhos. Se ela continuar assim, vai consumir todos os carinhos com as crianças e, com o tempo, não sobrará nenhum carinho para você.”

Perplexo, Antonio perguntou:”Quer dizer, então, que não é sempre que existe um carinho quente na sacola?”

“Claro que não”, respondeu a bruxa. “O mais grave é a notícia que vou lhe dar em primeira mão, porque sou sua amiga: todos os carinhos quentes estão acabando. Cada pessoa tem que economizar o seu carinho e só usar quando for numa ocasião muito importante”.

Preocupado, Antonio começou a reparar cada vez que Maria dava um carinho a alguém ou aos filhos. Começou a se queixar para ela, alegando que ela dava mais carinho para os filhos e amigos do que para ele. Aos poucos, Antonio reservou seus carinhos quentes, apenas para Maria, e em doses homeopáticas. As crianças, percebendo a ausência de carinhos, começaram, também, a economizar os seus. Dia após dia, todos foram ficando mesquinhos.

Rapidamente, a história de que os carinhos quentes iriam acabar, tomou conta da cidade. Todos passaram a guardar seus carinhos. Assim, aos poucos, as pessoas foram ficando doentes e, cada vez mais gente ia comprar os remédios da bruxa.

Assustada com o crescimento da clientela, a bruxa começou a vender carinhos falsos, que imitavam perfeitamente os carinhos quentes, mas não surtiam os mesmos efeitos. Enganadas, as pessoas não morreriam, mas continuariam a comprar seus ungüentos e poções. A situação ficou grave, porque, a cada dia, havia menos carinhos quentes, e esses ficaram valiosíssimos. As pessoas, então, tentavam de tudo para conseguí-los.

Antes da chegada da bruxa, as pessoas se juntavam nas calçadas, em grupos de três, cinco, até mais, para darem carinho umas às outras. Agora, a situação estava tão grave que, se alguém desse um carinho quente para outra pessoa, logo se sentia culpada.Assim, o comércio da venda de carinhos quentes falsos começou a crescer. As pessoas, que não conseguiam encontrar parceiros generosos, que lhes dessem carinhos quentes, precisavam trabalhar para comprar carinhos falsificados.
Então, naquela cidade, se multiplicaram as possibilidades de venda de carinhos. Até espinhos frios foram revestidos com uma cobertura branquinha e estofados, para imitar os carinhos quentes. Ah! Apareceram, também, os carinhos de plástico, que faziam as pessoas se sentirem bem, por alguns instantes, mas logo ficavam mal.
Num belo dia, chegou àquela cidade, uma mulher especial. Ela desconhecia a história do fim dos carinhos quentes e distribuía carinho a todos e de graça, mesmo a quem não tivesse pedido. As crianças gostavam muito daquela mulher e passaram a chamá-la de pessoa especial. Aquela mulher dizia que, quanto mais carinhos as pessoas dessem às outras, melhor elas se sentiriam. Era como uma recarga de novas energias, em forma de carinhos quentes. Os adultos, preocupados, fizeram uma lei dizendo ser crime distribuir carinhos quentes sem uma licença.
Mesmo assim, as crianças daquele lugar, ainda hoje, teimam em trocar carinho com a pessoa especial.

História enviada por Edileusa Menezes, retirada do blog: Proportoseguro.blogspot.com

A Esperteza do Macaco




Contam que, certa vez, o Compadre Macaco queria se casar com a filha da Comadre Onça. O problema é que o Compadre Calango também queria e eles não entravam num acordo.
Quando o Macaco soube das intenções do Calango, correu na casa da Onça (correu é modo de dizer) e disse a ela que o Calango não era de nada, que ele era na verdade o seu cavalo.
Quando o Calango soube disso, correu na casa da Onça e disse que aquilo era mentira e que iria buscar o Macaco par dar-lhe uma lição ali mesmo, na frente da casa da Comadre.
O Macaco estava em casa descansando quando o Tico-Tico voou e avisou o que estava acontecendo e que o Calango estava indo pra lá. Compadre Macaco, esperto como ele só, amarrou um lenço na cabeça fingindo que estava doente e começou a gemer de dor.
Quando o Calango chegou e chamou o Macaco, ele respondeu com a voz bem fininha que estava muito doente e que não poderia sair para atendê-lo.
O Calango disse que queria que ele fosse com ele até a casa da Comadre Onça para desfazerem um mal entendido. O Macaco deu um monte de desculpas, dizendo que não podia nem levantar da cama, que estava muito doente e não tinha como acompanhar o amigo. O Calango teimou tanto, mas teimou tanto, que o Macaco lhe disse:
__ Olha Compadre, poderia ir se você me levasse nas costas.
__ Olha Compadre Macaco, posso até te carregar, mas só se for até a capoeira atrás da toca da Onça.
__ Combinado Compadre Calango, mas deixe-me colocar meu arreio e sela em você porque tenho medo de cair e já estou doente e fraco.
__ De jeito nenhum , não sou cavalo.
__ Sinto muito, mas então eu não vou.
O calango vendo que não tinha outro jeito de levá-lo acabou concordando.
O Macaco colocou a sela e o arreio e ainda pediu:
__ Compadre, agora preciso colocar minha rédea para eu não cair.
Nova discussão, mas o Macaco convenceu a colocar sua rédea e até um par de esporas.
O Macaco montou na sela, no lombo do Calango, e os dois se encaminharam para a toca da Onça. Quando chegaram perto da capoeira da mata, o Calango pediu:
__ Compadre, tire estes apetrechos todos que assim fica muito feio pra mim. Vão achar que eu sou seu cavalo.
__ Calango Compadre- replicou o Macaco- estou tão doente que nem me agüento em pé. Ande mais um pouquinho só.
Caminharam mais um pouco e novamente o Calango pediu ao Macaco que descesse e tirasse tudo aquilo. E o Macaco , esperto e malandro dizia:
__ Paciência Compadre, estou muito doente e não posso caminhar. Mais um pouquinho só.
E assim foi. O Macaco enrolou, enrolou e o Calango acabou chegando na porta da toca da Onça. Quando chegou lá, o Macaco bateu com as esporas no Calango e gritou:
__ Olha só, Não disse que o Calango era o meu cavalo?
Venham todos ver o meu cavalo.
Todos os bichos se reuniram em volta do Macaco dando muitas risadas. O Macaco, vitorioso, gritou para a filha da Onça:
__Venha moça, monte na minha garupa e vamos nos casar.
Depois disso, o Compadre Calango nunca mais falou e nem se meteu com o Compadre Macaco.
E entrou por um pé de pinto, saiu por um pé de pato.
Quem quiser que conte quatro.

História Enviada por Neusa Lúcia Braga Cia

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A Menina que Não Era Maluquinha


(RUTH ROCHA)
Maluquinha, eu? Eu não! Não sou nenhuma maluquinha!

Quem me pôs esse apelido foi aquele menino de casacão e panela na cabeça.

Ele me botou esse apelido quando eu fui brincar na casa do Mauricinho. Eu nem queria ir. Mas a mãe dele telefonou pra minha mãe, ela disse que o Mauricinho era muito tímido e que ela queria que ele brincasse com umas crianças mais... Não sei o que ela disse, acho que ela queria que ele brincasse com umas crianças mais descoladas...

aí minha mãe me encheu um pouco e eu acabei indo.

A gente chegou na casa do Mauricinho e foi logo almoçar.

E depois do almoço a mãe dele botou a gente pra fazer a lição.

Eu não me incomodo de fazer lição logo depois do almoço, porque eu fico logo livre.

Mas a mãe do Mauricinho começou a fazer uns discursos sobre responsabilidade e coisa e tal, que a gente já era grandinha e tinha que cumprir com os compromissos... Um saco!

Eu tô careca de saber disso! E então eu fiz minha lição correndo e o Mauricinho ficou lá toda a vida, ele não acabava mais de fazer a lição dele. Aí eu comecei a rodar pela casa até que encontrei um gato. Gato não, gata. Chamava Pom-pom. Ou era Fru-fru... Ou era Bom-Bom, sei lá. E eu peguei a gata e ela estava meio fedida.

Então eu resolvi dar um banho nela. Gato não gosta de banho, vocês sabem.

Mas meu avô tinha me contado que quando ele queria dar banho no gato ele botava o bicho dentro da banheira e ele não conseguia sair e meu avô dava banho à vontade!

Mauricinho tinha um banheiro dentro do quarto dele.

Quando eu fui chegando perto da banheira a gata arrepiou toda e eu joguei ela bem depressa lá dentro e tapei o ralo e enchi de água.

E esfreguei a gata todinha com um shampoo todo perfumado que tinha lá e eu estava achando que todo mundo ia gostar de ver a gata toda limpinha. A gata estava muito infeliz e ela miava miaaauuu... e tentava sair do banho, mas meu avô tinha razão: ela arranhava a parede da banheira, mas não conseguia sair.

Mas acho que aí caiu shampoo no olho da gata, porque ela deu um pulo e agarrou na minha roupa e conseguiu pular fora e saiu correndo, espalhando espuma de shampoo por todo lado e nisso a mãe do Mauricinho vinha chegando e levou o maior susto e caiu sentada e a gata continuou correndo e assustando todo mundo e respingando tudo de espuma.

Eu não sei quem estava mais assustado: se era o Mauricinho, a mãe dele, a gata, ou se era eu.

Eu corri atrás da gata, mas ela pulou pela janela, atravessou o jardim, saiu pela rua e eu atrás.

Só que no meio da rua estava a turma daquele menino, aquele da panela na cabeça, e a gata passou pelo meio deles todos e eu atrás!

E eles levaram o maior susto, cada um correu para um lado, e atrás de mim vinha a mãe do Mauricinho e o Mauricinho e a cozinheira e o jardineiro todos correndo e gritando e eu resolvi correr para a minha casa e me esconder lá.

Mas no dia seguinte... a escola toda já sabia da história e aquele menino, aquele da panela na cabeça começou a me chamar de maluquinha... Mas eu não sou maluquinha, não! Só se for a vó dele!


(História enviada por Sueli Monzani)

sábado, 26 de setembro de 2009

A JOANINHA QUE PERDEU SUAS PINTINHAS



Tininha era uma pequena joaninha que passeava sozinha e ao atravessar um rio escorregou num galho e caiu nas águas e começou a gritar:
- Socorro, socorro...
Ela não sabia nadar e se debatia nas águas, e acabou virando as asas para baixo e começou a remar.
Quando alcançou a margem começou a caminhar, pois precisava voltar para casa senão sua mãe ficaria preocupada.
Ao chegar começou a gritar:
- Oi mamãe, já voltei!
-Nunca mais vou me atrasar.
-Por favor, mamãe, fale comigo, eu quero te abraçar!
E sua mamãe lhe disse:
- Você não é minha filha, não queira me enganar.
- Minha filha é pintadinha, volte já para o seu lugar.
Foi neste momento que ela percebeu que estava sem suas pintinhas.
Então tininha ficou muito assustada e começou a chorar,
Precisava de suas pintinhas, para poder voltar para sua casa.
Então voltou logo para o rio, na esperança de encontrar todas as pintas das asas que ela perdeu ao nadar.
Subiu numa folha verde e foi navegando pelo rio.
E todos que encontrava, parava para perguntar:
-Você viu as pintinhas que estavam nas minhas asinhas?
- Se você encontrar , faça o favor de me avisar.
Passou embaixo da ponte, viu peixinhos, parou para admirar a natureza, e nem viu o tempo passar.
Viu o sol se esconder...
E o céu todo a se estrelar.
E voltou a navegar.
E só se deu conta de si quando foi lançada ao mar...
- Onde estou?
- Que água é essa que só fica balançando?
Agora é muito mais difícil, as minhas pintinhas encontrar.
Saiu andando na areia, de cabeça baixa, triste e chorando.
Acabou se esbarrando num sapato e ergueu sua cabecinha, era um jovem pintor que estava pintando um quadro do mar, tinha um barco lá no fundo, gaivotas a voar.
O pintor pegou tininha e pôs na palma da mão e disse:
- Você não é borboleta...
- Você não é camarão...
- Você não é siri...
- Quem é você então?
- Sou apenas uma joaninha que perdeu as pintinhas, disse ela ao pintor.
- Se você não me ajudar, não posso voltar para casa.
E o pintor muito cuidadoso começou a trabalhar. Tinha um sério compromisso; ajudar a joaninha.
Com a tinta e o pincel começou a desenhar as pintinhas de suas asas.
Quando estava retornando sua amiga inseparável correu na frente para avisar:
- Dona Joana, dona Joana, sua filha está chegando.
E assim foi preparada a grande festa para comemorar a sua volta ao querido lar.
E a sua mãe ela foi correndo abraçar.



Ducarmo Paes – Ed Noovha América
Adaptação: JOJOBA – 16-09-09